Encontro Anual
ECONOMIAS DE GUERRA / SOCIEDADES EM GUERRA

Economias de guerra e sociedades de guerra; guerras económicas; sociedades em guerra. Não se trata de meros jogos de palavras. Todas estas realidades existem, ou existiram, em diferentes tempos e espaços, dos mais antigos aos mais atuais, ou dos mais remotos aos mais próximos, em diferentes contextos e sob diversas formas, englobando ou apresentando características e realidades muitas vezes semelhantes, outras mais específicas e distintivas.
Infelizmente, a evolução recente, dos últimos anos e em particular dos últimos meses na Europa e Mediterrâneo, vem trazer, de novo, estas questões para o centro das preocupações públicas e coletivas, depois de décadas durante as quais, visto do Ocidente, os conflitos bélicos pareciam associados a tempos antigos ou a geografias distantes. É hoje inegável que os “tambores da guerra” voltaram em força ao Ocidente e, ao que parece, para ficar.
Assim, o 45º Encontro APHES, atento a essa realidade, propõe-se trazer a guerra, nas suas múltiplas facetas económicas e sociais, para o cento do debate, colocando-a em perspetiva histórica, e contribuindo para alargar a discussão e reflexão no espaço público, para lá do imediatismo e do passado muito recente. Este será naturalmente incluído, mas pretende-se que seja enriquecido com uma dimensão diacrónica bastante mais alargada, desejavelmente desde a Grécia e Roma Antigas, pelo menos, passando pelo Medieval e o Moderno, até ao Contemporâneo. Pretende-se um olhar múltiplo, apelando, por isso, ao contributo de diversas ciências sociais e humanas, da história e da arqueologia, à economia, mas também à sociologia, antropologia, ao direito, à arquitetura, à geografia, ciências do património ou à comunicação, entre outros.
A discussão de conceitos será igualmente encorajada. Parte-se de uma aceção geral do conceito de “guerra” e de uma visão global do mesmo. Por essa razão, todas as formas de “guerra” cabem no tema deste 45º Encontro. Conflitos bélicos, ou seja, ações militares efetivas e reais, ou meramente anunciados, como ameaças dissuasoras, guerras económicas, tecnológicas, entre outras.
Economia e sociedade de guerra, ou seja, organizadas para e em função da guerra, pode ser diferente de guerras económicas, isto é, motivadas por esse tipo de fatores. No primeiro caso, a guerra constitui uma forma regular e permanente de obtenção de recursos, como por exemplo em certo tipo de sociedades que se caracterizavam pelas “expedições de primavera” em território inimigo, com o objetivo de obter saques ou fazer prisioneiros para fazer escravos ou pedir resgates; e inversamente, tinham de se defender de ataques semelhantes de outros povos. Nestes casos, o objetivo não é conquistar territórios, mas saqueá-los, considerando-se uma forma legítima de obtenção de recursos económicos.
Noutros casos, o objetivo é mesmo conquistar territórios, ou defender o próprio espaço, impedindo que outros o façam. Noutros casos ainda, trata-se de garantir, ou impedir, o acesso a recursos, mercados e áreas de influência. Em todas estas possibilidades, as motivações – bem como os impactos – económicas e sociais estão presentes, sob diversas formas, juntamente com outras questões políticas ou culturais e civilizacionais. E sob diversas formas, correspondendo, nuns casos ao objetivo de conquistar e dominar de forma permanente novos territórios e populações, noutras situações preferindo-se impor um sistema de tipo “protetorado” a certos territórios, mantendo uma autonomia governativa limitada, entre muitas outras hipóteses. Todas estas possibilidades podem ser encontradas em diversas cronologias e espaços, dos mais antigos e remotos, aos atuais e próximos.
Desta forma, ainda que de modo não exclusivo, propõem-se os seguintes eixos temáticos para este 45º Encontro da APHES:
– Conceitos, vocabulário, objetos de análise: guerra, conflitos bélicos, conflitos político-militares bélicos ou não (i.e. conflitos bélicos, guerra fria, guerras híbridas, guerras tecnológicas, guerras por áreas de influência e proxis, entre outros).
– Fontes e metodologias para análise económica e social das guerras e conflitos.
– Custos e financiamento da guerra.
– Política, diplomacia e guerra.
– Objetivos económicos e sociais da guerra e conflitos (acesso a recursos e mercados, domínio de territórios, populações e áreas de influência, …).
– Consequências sociais e económicas da guerra e conflitos.
– Recrutamento militar e desenvolvimento tecnológico militar, em perspetiva económica e social.
– Análise social e recrutamento militar (grupos sociais / étnicos e religiosos, ou identitários / género / etários).
– Vivências sociais e económicas: a morte, saúde, doença e traumatismos físicos e psicológicos em militares e civis; rendimentos (pobreza / abundância).
– Propaganda, informação e comunicação nos conflitos: a vertente económica e social, em articulação com as dimensões política, cultural e ideológica. A transmissão do conhecimento e da informação.
– Representações de guerras: passadas, presentes e futuras.
– Património dos conflitos e da guerra: Paisagens, territórios e construções de edifícios ou estruturas.
– Teoria e ideologia com implicações económicas e sociais aplicadas a conflitos.
São bem-vindas propostas de comunicações individuais ou de painéis que explorem diferentes recortes históricos e geográficos. Cada proponente poderá submeter um máximo de duas comunicações ao Encontro (uma como autor principal e outra como segundo autor).
As candidaturas devem ser submetidas em português, inglês ou castelhano até ao dia 15 de maio de 2026, através do preenchimento dos seguintes formulários:
Proposta de comunicação individual: https://forms.gle/RCsuuagWJVMEzFgV7
Proposta de painel (com três comunicações): https://forms.gle/wtCAAbgGTpDBqD5D9
Para qualquer dúvida, poderá ser contactada a Comissão Organizadora do XLV Encontro através do e-mail: 45aphes.uminho@gmail.com.
Nota: A Comissão Organizadora do XLV Encontro da APHES incentiva os jovens investigadores a candidatarem-se ao Prémio Pedro Lains 2026. Os investigadores que pretendam concorrer ao prémio deverão submeter a sua proposta apenas na modalidade de comunicação individual. Os textos concorrentes deverão ser enviados para o e-mail da Comissão Organizadora até ao dia 30 de setembro de 2026. O regulamento do prémio encontra-se disponível NESTE LINK.